Para além dessa árvore
Fora anunciado que ele chegaria. Todos se apressavam, passavam pelas ruas e esquinas perguntando qual seria o local exato. Algo em mim queria tanto vê-lo... mas por quê? O que indicaria que ele seria diferente dos demais? Dessa gente que já não ia com minha cara, dessa gente que para a vida me fazia barreira... Mas sim, eu queria vê-lo. Me disseram que ele era homem, mas não qualquer homem. Me falaram do seu olhar, me falaram do seu jeito de tocar o corpo, de dar vida, de pôr ao sufoco um fim. Eu queria vê-lo, sim. Mas como vê-lo se todos já faziam fila? Preparavam, em alto e bom som, as ofertas que queriam lhe apresentar. Já eu, nada tinha a lhe dar. Além do meu toque, do meu corpo, do meu olhar, nada me sobrava. Tão rico do dinheiro por aí recolhido, mas, para dizer a verdade, tão pobre de todo o resto. Não, não é que em mim só havia pecado. Não, não é que de mim só se poderia esperar o amargor, a opressão, o imposto. Em mim havia tanta coisa... mas essa gente não via, eu tampouco sa...