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Mostrando postagens de novembro, 2022

Coração

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  CORAÇÃO Já era noite quando chegou ao meu quarto, E me fitou por um tempo, Mesmo que eu não quisesse mirá-lo. É que me pensei indigno de visita, Pensei que meu coração fosse estreito Para todo aquele amor. Que minha cama seria lugar triste Se ainda tão cheia de dor. O que vens fazer então, Senhor? Me respondeu, com olhar de esperança, Que queria adentrar o coração. Queria lavá-lo, Queria amá-lo, Me queria inundado da Vida Que portava em suas mãos. Lhe mostrei tudo, Mesmo que Ele já soubesse De tudo o que ali havia. Lhe mostrei as partes largas, Cheias de gente, de nomes De coragem. Lhe mostrei as minhas barcas Dispostas pelo rio da vida E os repousos em sua margem. Lhe mostrei, também, O que a despedida estreitara. Mostrei as partes que, num repente, Se calaram, os amores sufocados, Os afetos desabrigados. Ele não se incomodou com a lágrima, Não repreendeu o meu choro De homem ferido. Pelo contrário, Enxugou o meu pranto com seus cabelos, Me pôs os chinelos, Me disse que ainda há...

O teu jeito

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Me mostraste o teu modo de proceder De andar sobre minhas profundas águas, De iluminar meus porões inabitados, De ser esse homem, essa gente, Que me criaste para ser. Me mostraste o teu jeito de não temer As lupas interiores da alma, Na certeza de que até o vazio É fruto de tuas mãos. Que mesmo a solidão Testemunha a tua presença habitada, E dá sustento ao que em mim é amor, Beleza, criação. Me mostraste o teu jeito  De apontar a direção. Não como quem guia escravos, Não como quem põe amarras E, assim, sufoca a liberdade. Pelo contrário, Me mostraste que teus caminhos São eleição de vida, Discernimento de tantas vontades, Liberdade, desejo, justiça. Me mostraste, enfim, Que nada que é humano se desperdiça, Que os meus amores, as minhas lágrimas, O meu sincero sentir, Tudo é dom de tuas mãos, Tudo é o teu jeito De me criar a todo instante, De me conceder o existir.