Um futuro cheio de esperança, um presente cheio de espera
(Alfred Delp, SJ) É verdade o que dizem: lançar as bases de um futuro cheio de esperança é uma tarefa necessária, inadiável. Mas o que poucos ousam sussurrar em meio às noites em claro, aquilo que todos sentem com ardência e com um pouco de desamparo, é que ter esperança exige esperar, requer atravessar a noite que é ainda mais noite diante da incerteza do que virá, todos nós, mesmo que não queiramos admitir, já um pouco cansados dessa espera alastrada que parece não findar. Mas é que, de verdade, há coisas que não findam nunca, há perguntas que insistem em sussurrar no coração. Alfred Delp, jesuíta sentenciado à morte na Berlim nazista de 1945, escreveu em seus diários de prisão, no período em que se preparava para o seu último natal, que "[...] os anjos do advento não são aquelas figuras brilhantes e jubilosas que alardeiam a maré da bonança a um mundo em espera. Silenciosos e discretos, eles entram em nossos surrados quartos e em nossos corações como sempre fazem. No si...