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Mostrando postagens de dezembro, 2022

Novas verdades, novo ano

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  I Um ano em que novas verdades floresceram. Foi meu papel acolhê-las, dar-lhes um lar, aconchegá-las em alguma parte do pequeno pedaço de terra que seguro nas mãos. Os amigos, os parentes, os estudos, a alegria, o choro, a fé, o amor: de tudo foi sendo extraído o líquido dessa verdade que sorvo em goles lentos ou apressados, a depender da minha coragem, a depender da minha generosidade perante os mistérios que se anunciam, que adentram a vida sem pedir licença. E posso dizer que foi bom não ter tido medo das histórias encerradas e que é melhor ainda não temer pelas histórias que se iniciam, que timidamente me acenam com os seus primeiros raios de luz, ainda nessa alvorada que me toma pelo peito. Não será, daqui pra frente, o tempo das coerências, dos tratados lógico-sistemáticos, dos planos inabaláveis. Não será, tampouco, o cálculo das horas e dos segundos que apressa o deleite de me ver transformado naquilo que sou, naquilo que tenho de ser. Será, contudo, assim como foi na mai...

Choroso menino

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Foi mesmo num repente Que o pai te pôs em meus braços. Ele já tão cansado De por aí vagar, E a mãe muito exausta, De não ter uma cama onde se deitar. Eu lhes disse, com emoção na voz Que por ali podiam ficar,  Que de ti eu iria cuidar Que chegara finalmente o momento, De te cobrir em meus lençóis. Mas na noite do teu alento, Como choras, pequeno menino. Guarda as lágrimas, pequenino! Sei que dói nascer, Sei que não é fácil Ao chão descer, Mas te prometo Que a vida te guarda tanta alegria E que, talvez um dia De todas as lágrimas vais esquecer. Sei, também, que um dia falarás De uma vida que está por vir, De um mundo que não é esse, Da companhia eterna a se descobrir. Mas hoje eu te garanto, menino, Que apesar de ser volátil O que vivemos por aqui Vais te apaixonar tanto Pela fé dessa gente, Pelo amor trazido no coração, Pelos amigos, pela festa, pela canção, Que valerão a pena os sorrisos E até mesmo os dias De ferida, de mágoa, De sofreguidão. Meu pequeno, meu irmão, Hoje eu não t...

O que veem, mulher, teus imaculados olhos?

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  O que veem, mulher, teus imaculados olhos? O que observas a fundo no coração do peregrino? Em qual originalidade te deténs? Na do pecado que, de tão repetido, Nada de original tem? Ou no que é original em meu sorriso, Nessas alegrias que guardo comigo, Em toda a tua gente que aqui vem? Sendo tu a Imaculada, Ajuda-me a ver o que os teus olhos veem: Que já caíram os tronos, os reinos, Foram libertos os prisioneiros, Que aquelas prisões não mais me detêm. Coloca-me então ao lado do teu filho, E se eu chorar, se eu esmorecer, se o passo tremer, Lembra-me, mulher, de que não estás distante, Lembra-me, mulher, da alegria que não se contém, De que todos esses são teus filhos E de que eu, por caminhos que não entendo, Pela vida que me surpreende, Pela fé que poucas vezes se compreende,  Teu filho sou também.

"A vida na prisão, grande niveladora"

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(Pe. Stan Swamy, SJ) Recentemente, me deparei com o poema "A vida na prisão, grande niveladora" do padre Stan Swamy, jesuíta indiano condenado à prisão por seus trabalhos a favor dos povos indígenas da Índia, acusado de "conspiração maoísta" pelo regime daquele país. Padre Stan, já falecido, escreveu no advento de 2020: "Dentro dos assustadores portões da prisão, Todos os pertences levados, Menos o essencial. "Tu" vem primeiro, "Eu" vem depois, "Nós" é o ar que se respira. Nada é meu, Nada é teu, Tudo é nosso. Não há resquícios de comida desperdiçada. O que sobra se partilha com os pássaros Que, vindos do ar, pousam nas celas, tomam sua parte, E felizes se vão. Triste por ver tantos rostos novos Perguntei-lhes: "por que vocês estão aqui?" Eles disseram tudo, não mediram palavras. Desde cada um por sua capacidade, Para cada um por sua necessidade, Isso é socialismo. Essa igualdade é trazida por coerção, Mas se todos os hum...