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Mostrando postagens de abril, 2023

Sensualidade e palavra

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Se, por algum motivo, não mais nos interessa a sensualidade de um encontro fortuito, de acasos destrambelhados e sem significado, daquilo que o corpo excreta com uma facilidade que nos apavora, então por onde podemos ainda achar algo que nos erice, ainda algo que borbulhe e efervesça o afã da carne jovem? É que há sempre essa sede profunda por uma gota qualquer que umedeça o que em nós é deserto, essa necessidade de que alguém nos toque os pés e neles derramem um bálsamo cujo cheiro confira às nossas carnes algum vestígio de vida e de companhia. E quantas ganas de viver são desperdiçadas em situações que nada disso nos podem oferecer...  Não se trata de ser angelical, de desviar do corpo aquilo que ele pede, de pretender tramar cruzadas contra as carências doloridas - e quem não as tem? Mas bem que essas carências, ao invés de darem testemunho de nossa fraqueza, poderiam ser alegres estandartes de gozos mais honestos. Quando, por exemplo, se deu a última vez em que, sen...

Poemas de fevereiro e março

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I Depois de um e de outro adeus Depois dos deslumbramentos perante abismos Depois das possibilidades mortas Para só então se chegar A essa terra sem castigos E ao momento em que se encontra vivo Um coração fremente de criança Além das poças de água da infância E o que mais se pode guardar No baú das lembranças Para que tudo se repetisse Na passagem da hora e do ritmo E para que eu respirasse assim Como se o tempo não pudesse devorar Todo o amor de uma vida Que começa a crescer em mim. II Em dias como hoje Em que peregrino pela frágil vida Que carregas em tuas mãos E de repente um movimento estonteante E o perder de vista alguma lembrança E qualquer queda que me emudeça... Mas nunca dura essa tontura E por isso continuas a me levar A algum outro canto, a outra errância, Mesmo com o pacto quebrado, Mesmo que por vezes eu esqueça. Mas se tiver de ser com o coração enlamado Então assim seja Pois ainda é tanta a candura que arde É tão cheia de carne essa inocência primeira Que como um novil...