Sensualidade e palavra
Se, por algum motivo, não mais nos interessa a sensualidade de um encontro fortuito, de acasos destrambelhados e sem significado, daquilo que o corpo excreta com uma facilidade que nos apavora, então por onde podemos ainda achar algo que nos erice, ainda algo que borbulhe e efervesça o afã da carne jovem? É que há sempre essa sede profunda por uma gota qualquer que umedeça o que em nós é deserto, essa necessidade de que alguém nos toque os pés e neles derramem um bálsamo cujo cheiro confira às nossas carnes algum vestígio de vida e de companhia. E quantas ganas de viver são desperdiçadas em situações que nada disso nos podem oferecer... Não se trata de ser angelical, de desviar do corpo aquilo que ele pede, de pretender tramar cruzadas contra as carências doloridas - e quem não as tem? Mas bem que essas carências, ao invés de darem testemunho de nossa fraqueza, poderiam ser alegres estandartes de gozos mais honestos. Quando, por exemplo, se deu a última vez em que, sen...