O amigo dos afogados
( Jorge Cocco , Santangelo) Eu estava experimentando um momento de melancolia pandêmica quando escutei, pela primeira vez, a canção Suzanne , de Leonard Cohen. Naquela noite, perdido na angústia de não saber como seria o dia de amanhã (e se os meus pais pegassem Covid? e se eu ficasse doente? e se fosse necessário ir ao hospital?), a suavidade da canção me trazia um relaxamento que há algum tempo eu já não experimentava. A retrospectiva do Spotify não me deixaria mentir: Leonard Cohen é um dos cantores que eu mais amo. Contudo, não é verdade que, em meio à imensidão das nossas playlists, entre tantas alternativas, informações e estímulos, raramente mergulhamos no que a canção tem a nos dizer? No caso de Suzanne , a letra escrita pelo cantor judeu passou a fazer parte da minha experiência de Deus. No programa The Late Show , mais ou menos em setembro desse ano, Stephen Colbert entrevistou Nick Cave acerca do seu novo álbum, Wild God . Em determinado momento da entrevista, ...