O amigo dos afogados

 

(Jorge Cocco, Santangelo)

Eu estava experimentando um momento de melancolia pandêmica quando escutei, pela primeira vez, a canção Suzanne, de Leonard Cohen. Naquela noite, perdido na angústia de não saber como seria o dia de amanhã (e se os meus pais pegassem Covid? e se eu ficasse doente? e se fosse necessário ir ao hospital?), a suavidade da canção me trazia um relaxamento que há algum tempo eu já não experimentava.

A retrospectiva do Spotify não me deixaria mentir: Leonard Cohen é um dos cantores que eu mais amo. Contudo, não é verdade que, em meio à imensidão das nossas playlists, entre tantas alternativas, informações e estímulos, raramente mergulhamos no que a canção tem a nos dizer?

No caso de Suzanne, a letra escrita pelo cantor judeu passou a fazer parte da minha experiência de Deus.

No programa The Late Show, mais ou menos em setembro desse ano, Stephen Colbert entrevistou Nick Cave acerca do seu novo álbum, Wild God. Em determinado momento da entrevista, enquanto Nick Cave falava sobre como a experiência de luto pela perda do seu filho lhe fez enxergar o mundo e a vida a partir de uma nova perspectiva, Stephen lançou uma pergunta um tanto quanto retórica: «Você é fã de Leonard Cohen?».

É que, para Stephen, a experiência da vida que segue após o luto, do alívio após o afogamento, da salvação após a perdição, pode ser sintetizada nos versos da música Suzanne:

«And Jesus was a sailor when He walked upon the water, And He spent a long time watching from a lonely wooden tower, And when He knew for certain only drowning men could see Him, He said: “All men shall be sailors then, until the sea shall free them”».

«E Jesus era um marinheiro quando andava sobre as águas, e Ele passou muito tempo observando o mar de uma torre de madeira solitária, E ao saber com certeza que apenas os homens que se afogavam conseguiam lhe ver, Ele disse: “Que todos os homens sejam marinheiros, então, até que o mar os liberte”».

Após recitar os versos de Cohen, Stephen concluiu: «É o afogamento que nos liberta!», ao que Nick respondeu: «É a devastação que nos faz ser uma pessoa inteira e essa devastação chegará para todos, se tivermos sorte suficiente».

***

A má notícia do inevitável afogamento pode ser transformada na boa notícia da liberdade. Mas essa liberdade não será experimentada até que todos nós admitamos, sem qualquer pudor, o nosso próprio afogamento. Enquanto olharmos a nós mesmos e aos outros como se nós fôssemos senhores do nosso próprio destino, homens e mulheres aperfeiçoáveis, prontos a ser «a melhor versão de nós mesmos», nunca nos veremos como os marinheiros com a água na altura do pescoço. É apenas na medida em que nos percebemos como pessoas afogadas que podemos repetir a canção de Leonardo Cohen: «Que todos os homens sejam marinheiros, até que o mar – até que o afogamento! – os liberte».

Somos bombardeados, dia e noite, com a promessa de melhora. «Deus ajuda a quem cedo madruga», nos ensina o ditado popular. Se fizermos o esforço necessário, o universo estará ao nosso favor, Deus será benigno com as nossas intenções. Se nos amarmos o suficiente, então alguém irá nos amar. Se formos pessoas boas, então o universo irá nos retribuir. «Se..., então...» é a condição do homem que ainda se pensa vivo, do homem que não se deu conta de que... ele está afogado e morto!

Se tivermos a sorte de uma vida confortável e bem-sucedida, em que os vestígios do afogamento estejam distantes, imperceptíveis à nossa vista, ainda assim é certo que, não obstante a nossa sorte, nada irá nos livrar do afogamento na terra úmida da nossa própria cova. E para o homem que está morto, promessas e intenções de melhora de nada adiantam. Nada pode melhorar um cadáver! Para um homem morto, a solução é a ressurreição.

Na Carta de São Paulo aos Romanos, o Apóstolo faz uma pergunta retórica (quase que com o mesmo grau de ironia com que o entrevistador perguntou a Nick Cave se ele é fã de Leonard Cohen) à comunidade dos cristãos em Roma: «Que diremos então? “Permaneçamos no pecado para que a graça aumente?” De modo algum! Nós que já morremos para o pecado, como ainda viveremos nele?» (Rm 6, 1-2).

Ora, podemos nós, homens afogados, permanecer «no pecado»? Note que a palavra «pecado», nesse contexto, é um substantivo (tê hamartía), não um verbo (uma ação de pecar). Trata-se do Pecado com «P» maiúsculo, da condição que o Apóstolo equipara à Morte.

A pergunta de São Paulo é, como já mencionado, retórica. Não é possível que a nossa verdadeira vida permaneça no Pecado porque, paradoxalmente, estamos mortos, somos homens afogados. «Acaso ignorais que todos nós, batizados no Cristo Jesus, é na sua morte que fomos batizados?» (Rm 6, 3). O Apóstolo não está a dizer à comunidade que, ali, os cristãos não devem permanecer em pecado, mas simplesmente que tal situação é impossível, pois somos batizados na morte de Cristo. «Vocês estão mortos!», é o que São Paulo está dizendo. A pergunta «vocês, então, permanecerão no pecado?» é direcionada a um sujeito inexistente!  «Continuar no pecado? Sério mesmo? Como é que um bando de zé ninguém pode continuar em alguma coisa? Vocês morreram!».

Como diz o próprio Apóstolo, «Para mim, de fato, o viver é Cristo e o morrer, lucro» (Fl 1, 21). Como homens afogados, quer percebamos ou não o nosso próprio afogamento, a nossa verdadeira vida não está em nós, mas em Cristo. Eu estou morto e, agora, a minha vida não está mais em mim, mas em Cristo. Você pode até me perguntar de algum Antônio, mas, na verdade, esse Antônio aí morreu! Mesmo que você o esteja vendo, ele morreu. Ou como diria Taylor Swift: «I’m sorry, the old Taylor can’t come to the phone right now. Why? Oh, cause she’s dead!»

Diante disso, alguém pode perguntar: «Mas, então, o que eu posso fazer para que a minha vida esteja em Cristo, não em mim?» Primeiro, se a pergunta diz respeito ao que você pode fazer, então você ainda não morreu, ainda não se percebeu como um homem afogado incapaz de se elevar à superfície. Segundo, o Evangelho de São João traz uma resposta excelente a essa indagação:

«Jesus, outra vez comovido interiormente, foi até o túmulo. Era uma gruta fechada com uma pedra. Jesus disse: “Tirai a pedra!” Marta, a irmã do morto, disse-lhe: “Senhor, já cheira mal, é o quarto dia”. Jesus respondeu: “Não te disse que, se creres, verás a glória de Deus?” Tiraram então a pedra. E Jesus, levantando os olhos ao alto, disse: “Pai, eu te dou graças porque me ouviste! Eu sei que sempre me ouves, mas falo assim por causa da multidão ao meu redor, para que creia que tu me enviaste”. Dito isso, exclamou com voz forte: “Lázaro, vem para fora!”. O que estivera morto saiu, com as mãos e os pés atados com faixas e um pano em volta do rosto. Jesus, então, disse-lhes: “Desatai-o e deixai-o ir”» (Jo 11, 38-44).

O que é, então, que você, ou eu, ou qualquer pessoa, pode fazer para que, como diz São Paulo, “o viver seja Cristo”? Bem, basta que o corpo esteja fedendo. Isso foi tudo o que Lázaro pôde fazer para escutar «Lázaro, vem para fora!»

***

O foco do mundo em cultivarmos «a melhor versão» de nós mesmos perde de vista o ponto de que, na melhor ou na pior versão que tenhamos, estamos afogados, mortos, e que é essa morte que nos concederá vida. Porque, para os homens e as mulheres mortos que somos, apenas a Ressurreição – não o nosso esforço! – é capaz de vivificar o nosso fétido cadáver.

Lázaro não pode escapar da vida que não lhe deixará morto, e tampouco nós podemos, enquanto pessoas mortas, fugir eternamente da vida.

Quando nos vem à mente a pergunta «O que eu posso fazer para que a minha vida esteja em Cristo?», voltamos, necessariamente, à lógica condicional do mundo. «Se..., então...». Essa é a lógica que Lutero e a tradição que lhe seguiu chama de Lei. A Lei – seja a Lei de Deus, contida nos mandamentos, ou as pequenas leis que regem o nosso dia-a-dia – funcionam como lembretes de que há, sempre, condições que nunca somos capazes de atender plenamente. Mas o Evangelho derruba toda e qualquer condição. Se, por um lado, a Lei nos diz que estamos mortos, se a Lei nos impõe condições que não conseguimos cumprir, o Evangelho nos diz que estamos seguros e vivos, ponto, e que nenhuma ação nossa é capaz de fortalecer ou enfraquecer a disposição do Senhor que, um dia, nos dirá «Fulano, vem para fora!».

A Lei e as leis dizem: «Faça isso e você viverá», e nós falhamos, repetidas vezes, em fazer o «isso» que a Lei exige. O não cumprimento da Lei é a morte e, então, a mesma Lei que nos prometeu vida é, na verdade, o instrumento que nos mata – a Lei que nos lembra: «Você está mortinho, homem afogado!». É assim que São Paulo diz, com muita sinceridade: «Eu morri e o preceito que deveria servir para a vida tornou-se, para mim, fator de morte» (Rm 7, 10).

Assim, apesar de a Lei ser condicional – uma via de mão dupla –, o presente de Cristo é incondicional e incondicionado. O Evangelho não pode ser mensurado pela dignidade de quem o recebe. A Graça é uma via de mão única, é o amor inesperado e imerecido em meio a um julgamento merecido, mas suspenso por essa mesma Graça. A Lei nos comanda a amar perfeitamente – algo que não conseguimos fazer e, às vezes, sequer tentamos. O Evangelho, por outro lado, nos diz que somos perfeitamente amados. A Lei nos acusa, o Evangelho de Jesus Cristo nos perdoa.

Acontece, porém, que todos nós insistimos na Lei, seja ela qual for. Queremos, de alguma forma, nos blindar das leis que nos acusam. Procuramos por exceções que nos justifiquem, que corroborem com o nosso próprio sentido de autorretidão (se é que isso é uma palavra...). Contudo, de exceção em exceção, ninguém vive. As regras irão sempre nos acusar, as regras sempre nos lembrarão da nossa morte (e, talvez, por isso sejam importantes), e nunca estaremos em conformidade total à Lei.

O que precisamos, verdadeiramente, é muito mais do que exceções às regras na esperança de que, uma vez feita a exceção, possamos cumpri-las em paz. Nós precisamos da via incondicional do Evangelho. Precisamos da Graça. E a Graça não é uma exceção às regras; é uma outra disposição do Amor, uma outra linguagem. A Graça não diz nada sobre as regras, sobre a Lei – na verdade, a Graça deixa-a intacta (a Lei é boa e justa, como diz São Paulo). Mas o que a Graça efetivamente diz é que, pelas nossas fraquezas, as regras nunca serão a base da nossa aceitação.

***

O que está do outro lado do afogamento é a sua anamnesis. Como já falado anteriormente, as nossas ações, por melhores ou piores que sejam, são ações de mulheres e de homens mortos. A nossa morte, o fato de sermos pessoas afogadas, nos ensina que nenhuma bondade da nossa parte será suficiente para passar o teste com que a Lei e as pequenas leis do dia-a-dia nos afronta. Do ponto de vista último, não é a nossa vida como a compreendemos que nos salva, mas, sim, a nossa vida – ou a nossa morte, ou o nosso afogamento – como Deus a compreende.

Na eucaristia celebrada durante a missa, o sacerdote repete as palavras que estão escritas na Primeira Carta de São Paulo aos Coríntios: “E, tendo dado graças, o partiu e disse: Isto é o meu corpo, que é dado por vós; fazei isto em memória de mim” (1Cr 11, 24-26). Memória, anamnesis.

Através das lentes do mistério da morte e ressurreição do Senhor, o pior que existe em nós, o evento mais pavoroso da história da humanidade – a execução de Deus em uma cruz – é lembrado como o ato redentor de todos os homens, é visto como o dia abençoado que nos perdoa eternamente. Essa é a anamnesis de Deus, é esse o julgamento do Evangelho. É como se Deus dissesse: «Peguem, então, homens mortos, a pior coisa que vocês já fizeram comigo, vejam como vocês me igualaram na morte, e agora percebam também como eu enxergo esse episódio a partir da minha Ressurreição, como eu vejo a minha Morte como a melhor coisa que aconteceu a vocês».

Esquecemos, muitas vezes, do magnífico exemplo de anamnesis que existe nos Evangelhos. No momento da condenação de Jesus, Pedro negou que conhecia o seu mestre três vezes seguidas:

«Eles prenderam Jesus e o levaram, introduzindo-o na casa do sumo sacerdote. Pedro, entretanto, acompanhava de longe. Quando acenderam uma fogueira no meio do pátio e sentaram-se ao redor, Pedro sentou-se no meio deles. Uma criada o viu, sentado perto do fogo, encarou-o de perto e disse: “Este aqui também estava com ele!” Ele, porém, negou: “Mulher, eu nem o conheço!” Pouco depois, um outro viu Pedro e disse: “Tu também és um deles”. Pedro, porém, respondeu: “Não, homem, eu não”. Passou mais ou menos uma hora, e um outro insistiu: “Certamente este aqui estava com ele, pois é galileu!” Pedro, porém, respondeu: “Homem, não sei de que estás falando!”. E, enquanto ainda falava, um galo cantou. Então o Senhor se voltou e olhou para Pedro. E Pedro lembrou-se da palavra que o Senhor lhe tinha dito: “Hoje, antes que o galo cante, três vezes me negarás”. Então Pedro, saindo dali, pôs-se a chorar amargamente» (Lc 22, 54-62).

Esse é o relato do homem morto. Esse é o relato que Pedro conseguia fazer para si mesmo da sua traição. Mas a memória do Senhor, a sua anamnesis do afogamento de Pedro, é um tanto diferente do sombrio relato do servo traidor. Após a Ressurreição, ao encontrar o discípulo, é assim que Jesus faz memória do ocorrido:

«Depois de comerem, Jesus perguntou a Simão Pedro: “Simão, filho de João, tu me amas mais do que estes?” Pedro respondeu: “Sim, Senhor, tu sabes que te amo”. Jesus lhe disse: “Apascenta meus cordeiros”. E disse-lhe, pela segunda vez: “Simão, filho de João, tu me amas?” Pedro respondeu: “Sim, Senhor, tu sabes que te amo”. Jesus lhe disse: “Pastoreia minhas ovelhas”. Pela terceira vez, perguntou a Pedro: “Simão, filho de João, tu me amas?” Pedro ficou triste, porque Jesus lhe havia perguntado pela terceira vez: “Tu me amas?”. E respondeu: “Senhor, tu sabes tudo; tu sabes que te amo”» (Jo 21, 15-18).

Jesus lembra as três negações como três tentativas de amor. Pedro, fazendo anamnesis com Jesus no mar de Tiberíades, escuta a única coisa que a sua traição pode significar em Cristo: todas as nossas falhas, mesmo que perversas, são reconhecidas na Ressurreição da Palavra de Deus como um eterno «sim».

***

A anamnesis do nosso afogamento é uma lembrança de vida, da nossa vida que está escondida em Cristo. A verdade dessa anamnesis e o seu efeito de salvação são imunes aos nossos vacilos, dúvidas e fracassos. Ninguém está mais afogado do que o outro. Todos, sem exceção, somos os marinheiros da canção de Leonard Cohen, afogados na nossa própria morte e, paradoxalmente, vivos na Graça do Criador que nos ama eternamente.

Karl Barth, na Humanidade de Deus, diz que «o homem com quem temos de lidar em nós mesmos e no próximo, apesar de rebelde e hipócrita, é, ainda assim, a criatura a quem o Criador é fiel, nunca infiel. Esse homem é o ser a quem Deus amou, ama e amará».

Esse é o julgamento do afogado: em meio à morte, haverá vida, e nenhum afogamento será capaz de evitar que o Senhor, em ato de anamnesis, se recorde desse afogamento como o bem mais precioso da vida do marinheiro afogado. Eis, então, a fortaleza e a segurança da vida da Graça: «Tenho certeza de que nem a morte, nem a vida, nem os anjos, nem os principados, nem o presente, nem o futuro, nem as potestades, nem a altura, nem a profundeza, nem outra criatura qualquer será capaz de nos separar do amor de Deus, que está em Cristo Jesus, Nosso Senhor» (Rm 8, 38-39).

É nesse sentido que repetimos, inúmeras vezes, que Jesus morreu na Cruz pelos nossos pecados. Não se trata de uma espécie de masoquismo barato, não se trata de um fatalismo pérfido, se trata, sim, do fato de Deus não medir profundidades: seja quantos metros de água estiverem sobre o seu corpo afogado, Deus aí está. Quando nos damos conta do amor que nos salva por qualquer preço, algumas lágrimas podem cair do nosso rosto e essas lágrimas valerão como o nosso arrependimento. Mas nem isso é urgente. Nem isso é estritamente necessário porque, como já falado, a Graça é caminho de via única. Uma vez dada, não se volta atrás.

Quanto a mim, homem afogado, quando a Morte regurgitar o meu corpo aterrado, quando a Morte, derrotada pela Vida que há em Cristo, vomitar a minha carne para fora do túmulo, o que eu espero e confio é escutar a Voz a dizer: «Antônio, vem para fora!». Será Ele, o amigo dos afogados, quem irá me abraçar e me mostrar que, nas chagas das suas santas mãos, os meus afogamentos são nada mais e nada menos do que os sinais da Vida do seu Corpo Ressuscitado, a Vida que, pela Graça de Deus, é minha desde já.

***

«Conosco seja a graça
De nosso Salvador.
Sem ela a vida passa em trevas
E temor. 

A via é árdua e rude,
Quem poderá valer?
O teu vigor te ilude,
Por graça hás de vencer. 

Na graça confiando,
Não te arrependerás.
Em noite escura andando,
A luz de Deus verás. 

Os nossos pais confiaram
Em Cristo e seu amor:
Na graça se abrigaram
Em toda a sua dor. 

Irmão, também confia
Na graça de Jesus.
Da carga te alivia
O que sofreu na cruz. 

Ninguém te prejudica,
Se amares o Senhor;
Pois ele justifica por graça
O pecador. 

O sangue do Cordeiro
Garante a redenção.
No alento derradeiro há graça
E há perdão. 

A nossa vida passa
Em trevas e temor.
Somente a tua graça
Nos faz vencer, Senhor».

Philipp Friedrich Hiller, 1699-1769.

 

Comentários

Postagens mais visitadas deste blog

Antissemitismo à luz de George Steiner

Deus contra Deus