O que veem, mulher, teus imaculados olhos?

 




O que veem, mulher, teus imaculados olhos?
O que observas a fundo no coração do peregrino?
Em qual originalidade te deténs?

Na do pecado que, de tão repetido,
Nada de original tem?
Ou no que é original em meu sorriso,
Nessas alegrias que guardo comigo,
Em toda a tua gente que aqui vem?

Sendo tu a Imaculada,
Ajuda-me a ver o que os teus olhos veem:
Que já caíram os tronos, os reinos,
Foram libertos os prisioneiros,
Que aquelas prisões não mais me detêm.

Coloca-me então ao lado do teu filho,
E se eu chorar, se eu esmorecer, se o passo tremer,
Lembra-me, mulher, de que não estás distante,
Lembra-me, mulher, da alegria que não se contém,
De que todos esses são teus filhos
E de que eu, por caminhos que não entendo,
Pela vida que me surpreende,
Pela fé que poucas vezes se compreende, 
Teu filho sou também.

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