Choroso menino



Foi mesmo num repente
Que o pai te pôs em meus braços.
Ele já tão cansado
De por aí vagar,
E a mãe muito exausta,
De não ter uma cama onde se deitar.

Eu lhes disse, com emoção na voz
Que por ali podiam ficar, 
Que de ti eu iria cuidar
Que chegara finalmente o momento,
De te cobrir em meus lençóis.
Mas na noite do teu alento,
Como choras, pequeno menino.

Guarda as lágrimas, pequenino!
Sei que dói nascer,
Sei que não é fácil
Ao chão descer,
Mas te prometo
Que a vida te guarda tanta alegria
E que, talvez um dia
De todas as lágrimas vais esquecer.

Sei, também, que um dia falarás
De uma vida que está por vir,
De um mundo que não é esse,
Da companhia eterna a se descobrir.
Mas hoje eu te garanto, menino,
Que apesar de ser volátil
O que vivemos por aqui
Vais te apaixonar tanto
Pela fé dessa gente,
Pelo amor trazido no coração,
Pelos amigos, pela festa, pela canção,
Que valerão a pena os sorrisos
E até mesmo os dias
De ferida, de mágoa,
De sofreguidão.

Meu pequeno, meu irmão,
Hoje eu não te incomodo
Com o lugar que em mim dói.
Hoje eu não te mostro
As dores de ontem
As emoções passadas,
Os sentimentos que formam o homem.

É que hoje eu só sei te amar,
Choroso menino.
Passo a mão em teus cabelos,
Sinto, com somente um dedo,
O pulsar do teu pequeno coração.
Ai, menino, se tu soubesses 
Da alegria que trago no peito
Juro que não haveria lágrima mais não.

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