Liberdade, memória, entendimento, vontade...




Sossega, amigo,
Na reminiscência dessa liberdade,
Outrora vermelha como o sangue
Que não mais ousas provar,
Pois te batem à porta as lembranças
E te mostram toda a distância
Em leito aberto a se sepultar.

Sossega, amigo,
Pois ainda não coberta de flores
Tua memória exaurida.
Se mal acordado te aventuras,
No descampado de passada vida
E se te é de algum proveito
O que os olhos ainda observam,
Então deixa de lado os temores,
Pois tua herança é maior
Do que a máscara que porta
Irredimíveis dores.

Sossega, amigo,
No entendimento da tua história.
Faz da entrega, do sangue, 
Do corpo, a tua maior glória.
Observa bem os teus sapatos,
Observa bem o que te incomoda,
Se os elos distendidos da tua pátria,
Se as árvores, se o teu amor
No calibre das sequoias. 

Sossega, amigo,
Na ocasião plena das vontades.
Mas que sejam tuas
As vontades que procuras.

E enquanto não te cobrirem as flores,
E pelo tempo em que ainda existirem
A liberdade, a memória, 
O entendimento, a vontade,
Viver será nossa vitória,
Existir, o nosso combate.

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