"A vida na prisão, grande niveladora"
(Pe. Stan Swamy, SJ)
Recentemente, me deparei com o poema "A vida na prisão, grande niveladora" do padre Stan Swamy, jesuíta indiano condenado à prisão por seus trabalhos a favor dos povos indígenas da Índia, acusado de "conspiração maoísta" pelo regime daquele país. Padre Stan, já falecido, escreveu no advento de 2020:
"Dentro dos assustadores portões da prisão,
Todos os pertences levados,
Menos o essencial.
Todos os pertences levados,
Menos o essencial.
"Tu" vem primeiro,
"Eu" vem depois,
"Nós" é o ar que se respira.
Nada é meu,
Nada é teu,
Tudo é nosso.
Não há resquícios de comida desperdiçada.
O que sobra se partilha com os pássaros
Que, vindos do ar, pousam nas celas, tomam sua parte,
E felizes se vão.
Triste por ver tantos rostos novos
Perguntei-lhes: "por que vocês estão aqui?"
Eles disseram tudo, não mediram palavras.
Desde cada um por sua capacidade,
Para cada um por sua necessidade,
Isso é socialismo.
Essa igualdade é trazida por coerção,
Mas se todos os humanos a abraçassem livremente,
Todos seriam verdadeiramente
Crianças da Mãe Terra".
A dignidade do sofrimento do padre Stan, perpassado pelos pássaros visitadores, pelos rostos novos que partilham o destino da prisão, pela esperança de uma humanidade reconhecida como filha da "Mãe Terra", me ajuda a reconhecer as prisões pelas quais eu também ando - onde todos andamos, de uma forma ou de outra - sabendo que cada passo dado é fruto de uma liberdade interior que nasce para a comunhão.
Ao mesmo tempo, pensei na contradição. Não sei por que, mas pensei no papa João Paulo II e na sua peleja pelo fim do regime comunista em tantos cantos da Europa, no seu legítimo medo de que o autoritarismo e o materialismo retirassem do homem o vazio interior onde Deus cresce. Pensei em Dorothy Day, leiga católica americana que dizia ter conhecido Deus entre os seus companheiros do Partido Comunista. Pensei no padre Stan, acusado de ser um terrorista maoísta, um idoso de oitenta anos recolhido em uma prisão no interior da Índia, mas capaz de, desde ali, poetizar sobre uma "Mãe Terra" que acolhe e que transcende nossas prisões.
Foi quando me dei conta de que a contradição salva. Um papa anticomunista, uma leiga que se converteu durante sua atuação no Partido, um padre falecido na prisão por ter sido taxado de comunista, todos indicam que dos rasgos da tessitura humana causados pela contradição emerge a tessitura divina sempre pronta a remendar o que somos, sempre pronta a se fazer companhia - mesmo nas prisões mais profundas - sempre pronta a acolher e unir todas as partes que nos compõem enquanto indivíduos e enquanto Igreja.
E percebo, hoje, que uma verdadeira vocação à catolicidade, à universalidade, exige saber escutar profundamente os lugares onde imperam as tensões e as contradições e, desde desses lugares, notar a Presença que nos une, mesmo com todas as diferenças, em uma única missão e em uma única Liberdade

uma comprometida vida a favor das " minorias" .... narrado por um belo e singelo texto....
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